GOALBALL

 

A história do Goalball no nosso país é recente.

Em 1992 disputam-se as primeiras partidas, demonstrações dirigidas para o público escolar. Estão na origem desta modalidade os professores José Santos e António Santinha. Inicialmente, o Goalball era praticado por jogadores de Futebol, elementos do Atletismo e da Ginástica.

Ao falar de Goalball, está-se a falar de um dos jogos colectivos mais emocionantes que existem. Para se compreender a veracidade do que acabou de ser dito, é preciso primeiro ter algum conhecimento sobre a modalidade.

Este desporto surgiu logo após a II Guerra Mundial. Visava ocupar desportivamente, os ex-combatentes que haviam cegado em combate.

Desta forma surgia o primeiro desporto criado especificamente para deficientes visuais, ao contrário de outros, não derivando de nenhuma modalidade existente.

No Goalball intervêm duas equipas de 3 jogadores cada. Que têm como funções, marcar golos e evitar que eles aconteçam na sua baliza. Este jogo é disputado geralmente em recintos fechados com piso de madeira polido ou sintético.

O Campo, tal como no voleibol, é dividido em dois quadrados de 9 metros cada, perfazendo assim, um comprimento total de 18 metros. Os 9 de largura, correspondem à largura da baliza que assim ocupa toda a linha final. Da mesma largura são as áreas em que o campo é dividido. Da linha de fundo até outra colocada 3 metros paralelamente à frente, encontra-se a chamada área de defesa, desta linha até outra paralela colocada 6 metros à frente da baliza, encontramos a área de lançamento.

Os restantes seis metros recebem a designação de área neutra. A equipa nas acções defensivas apenas dispõe da área de defesa Distribuindo, geralmente, os 3 jogadores em triângulo, com o central numa posição mais avançada que os laterais.

Existem marcações em relevo no interior da área defensiva que servem para orientação dos jogadores, Todas as outras linhas do campo são marcadas em relevo. A área de lançamento é por excelência a área de ataque. Os jogadores ao impelir a bola têm que fazer para que o primeiro contacto desta com o solo se faça antes da linha de 6 metros.

Embora seja um desporto jogado preferencialmente por deficientes visuais, é obrigatória a utilização de vendas, para que todos fiquem em igualdade de circunstâncias, permitindo assim a prática da modalidade por amblíopes e normovisuais.

A bola, fabricada exclusivamente na Alemanha, pesa pouco mais de um quilo. É oca, contém guizos no seu interior tem oito orifícios para que seja ouvida mais facilmente pelos jogadores.

Assim, como se percebe, o jogo tem o tacto e a audição, como sentidos impreteríveis. A bola é rematada pelo chão, os jogadores colocam-se em posição baixa para a defender, recorrendo ao ouvido e tentando ocupar a maior área de defesa possível.

É um jogo onde os remates se sucedem. Onde a desconcentração é letal. Como tal, é fundamental que o jogo se desenvolva sem ruídos estranhos ao próprio. Este é um pormenor que pode causar algum desinteresse por parte de quem assiste, mas é compreensível e fundamental. Contudo, os golos podem ser entusiasticamente festejados como em qualquer outra modalidade.

Para se criar uma equipa de Goalball são necessários no mínimo três jogadores, pelo menos dois têm que ser deficientes visuais (cegos ou amblíopes). É necessário que o grupo se filie a uma associação ou clube e que se responsabilize pela organização de uma jornada do campeonato, pela taça ou evento similar.

Caso não queira competir no campeonato não tem que se sujeitar a estes aspectos.

Deve ser encontrado um local para treinos regular, de preferência um pavilhão em piso sintético ou madeira polida com as dimensões suficientes para a prática do voleibol que utiliza campo com dimensões iguais às do Goalball.

A baliza pode corresponder apenas à linha de fundo marcada por postes que podem ser bancos ou qualquer outra coisa que as definam. É conveniente treinar com um mínimo de marcações em relevo, pelo menos as linhas de orientação dos jogadores. Estas são marcadas com uma corda não muito espessa e por uma fita adesiva com alguns centímetros de largura.

O equipamento de treino deve assemelhar-se ao de um guarda-redes de futebol com joelheiras e coto veleiras, calções de protecção para as ancas, conquilhas para os homens e peitilhos para as mulheres. É fundamental o uso de vendas que eliminem a utilização de qualquer proveito visual. As bolas podem ser adquiridas na ACAPO.

No ano 1994 há um esforço no sentido de organizar equipas para a futura disputa de um campeonato.

Só no ano 1995 é organizado o primeiro curso de treinadores e árbitros de Goalball. Este foi dirigido por técnicos da ONCE (Organização Nacional de Cegos de Espanha). Agregado a esse evento teve lugar um torneio que envolveu duas selecções espanholas e duas portuguesas. Este evento foi fundamental no desenvolvimento desta modalidade em Portugal.

É, finalmente, organizado o primeiro Campeonato Nacional masculino que contou com a participação de quatro equipas. Três de Lisboa e uma do Porto. Este evento dividiu-se em 3 jornadas, e duas fases. Tendo se sagrado campeã a equipa lisboeta dos Blueteam composta essencialmente por praticantes de atletismo.

Em 1996 é organizado o segundo Campeonato Nacional. Participam 5 equipas de Lisboa, Coimbra e Porto. Sagra-se campeã a equipa dos MOINAS, equipa esta composta fundamentalmente por praticantes exclusivos desta modalidade e sedeados em Lisboa.

É dado outro passo em frente no desenvolvimento deste desporto. Surge então a primeira equipa feminina no Porto e uma masculina em Coimbra (Académicos) DRC.

Neste mesmo ano, nas instalações do Palácio de Cristal, é organizado o 1º Torneio Internacional Oporto Cup. Onde participam as selecções do Canadá, a da Suécia que se sagraria vencedora deste torneio; a Espanha com a selecção de juniores e duas selecções portuguesas.

Em 1997 há um novo aumento do número de equipas e são organizados os 1ºTorneio Inter-Regional, a Taça de Portugal e o 1º Campeonato feminino.

Na categoria masculina, após uma primeira fase altamente competitiva onde 4 equipas de qualidade superior disputavam 3 lugares na fase final. Foi novamente sagrada campeã a equipa dos Moinas, obtendo assim a conquista do seu segundo campeonato consecutivo. É neste ano que surgem as equipas dos Bacos (Porto) e dos Beirões (Covilhã).

Na categoria feminina, sagram-se campeãs as portuenses conhecidas como Iguanas.

Em Braga organiza-se a primeira edição da Taça de Portugal. Participam 5 equipas entre as quais uma equipa local e os Escalabitanos, ambas não teriam continuidade. A equipa portuense dos Bacos foi a vencedora do troféu.

A selecção portuguesa participa pela primeira vez numa prova internacional fora de portas. Não tendo obtido qualquer vitória, esta participação em terras londrinas saldou-se positiva pois tinha como objectivo dar alguma experiência internacional aos nossos atletas e estar a par do trabalho que se desenvolvia no exterior.

Neste ano, ou seja em 1998 surgem duas novas equipas de Lisboa, os Minas e os Clã, são resultado da cisão dos campeões nacionais, Móinas. Os Bacos dão lugar aos CCD. Compondo estes o trio que vai à fase final.

Fica mais uma vez patente o domínio das equipas lisboetas. Ocupando as suas representantes os dois primeiros lugares do pódio, Minas e Clã respectivamente.

A Taça de Portugal fica também na posse da equipa dos Minas que obtêm assim a sua primeira “dobradinha”.

É organizado um segundo curso de árbitros no Porto com a participação de dois monitores espanhóis.

Em 1999 dá-se continuidade a todas as provas existentes. A equipa lisboeta dos Minas sagra-se campeã pela segunda vez consecutiva. A equipa dos CCD compete com duas equipas, A e B, tendo esta última conseguido o segundo lugar imediatamente à frente da equipa A.

A Taça volta a ficar na posse dos Minas.

Realiza-se o 2º Torneio Internacional Oporto Cup 98. Neste evento participam as selecções apuradas para o campeonato do Mundo a ter lugar em Madrid. Nomeadamente, a Finlândia, a Dinamarca e a Itália. E é contra esta última que a selecção portuguesa conquista o seu primeiro triunfo a nível internacional.

Em Praga, na República Checa, a selecção portuguesa obtém resultados animadores e junta ao seu currículo mais uma vitória internacional, desta vez defronte da Roménia.

A modalidade sofre um novo impulso em 2000. Surge no Porto a equipa do Boavista F.C – subsidiária dos CCD e primeiro clube a participar como tal. Há o intuito de expandir a modalidade no Norte nas localidades de Braga, Felgueiras, Mirandela e Vila Verde. Também nos Açores é divulgada a competição.

O campeonato nacional vê a equipa dos Minas festejar o seu terceiro título, todos conquistados por formações lisboetas.

A Taça não muda de mãos e é a terceira “dobradinha” em 3 épocas, feito conseguido pela equipa dos Minas.

Portugal ganha o concurso para a organização do Campeonato Europeu de Goalball a ter lugar aquando do Porto Capital Europeia da Cultura.

Sem grandes novidades a reter, em 2001, este campeonato saldou-se para mais um título da equipa dos Minas, o quarto, juntando também a Taça.

Também o Campeonato Europeu cujo concurso fora ganho no ano anterior não se disputou, tendo sido transferido para Lathi na Finlândia.

No ano 2002 na sequência do ano menos feliz que passara o Goalball. Este, contou mesmo com uma interrupção prematura do Campeonato Nacional, que apesar de não ter chegado ao seu fim, contou, mais uma vez, com os Minas como campeões. Este título foi atribuído à equipa lisboeta por se encontrar na liderança da prova aquando da sua interrupção.

A recém-formada equipa do Alcoitão, conquista a Taça de Portugal. Sendo a única que quebra a hegemonia dos Minas. Este é também o segundo clube a juntar-se ao Campeonato.

No ano 2003, depois de um grande defeso e de colocada em risco a realização das competições respeitantes â modalidade, foi possível reunir esforços no sentido de recolocar o goalball no caminho certo.

O campeonato iniciou-se com apenas cinco equipas, mas contou quatro jornadas, duas em Lisboa e duas no Porto. Tendo se sagrado, a equipa Minas A, campeã pela sexta época consecutiva.

Dado que marcou esta época, foi o desaparecimento de equipas de fora das metrópoles. Contudo, houve uma participação de 8 equipas na Taça de Portugal, onde participaram duas equipas minhotas e duas dos Açores. Também aqui, o título sorriu à formação hexacampeã nacional.

Há também a referir, a realização de alguns torneios e demonstrações que afinal fizeram desta, uma das épocas com maior actividade. Onde se destacam o torneio de Santo André, que sorriu à equipa do Boavista e o torneio da Amizade que ficou nas mãos dos Minas A.

O campeonato seguiu um modelo diferente do habitual. Anteriormente, cada delegação regional, organizava a sua jornada compondo um total de 3. As duas primeiras serviam de primeira fase, de apuramento para a terceira designada como fase final. A partir desta época, Cada grupo, agregado a uma Instituição ou clube, organiza a sua própria jornada. Cumpre-se um modelo de Campeonato continuado, contando até ao fim todos os pontos averbados em todas as jornadas.

A participação do Boavista num torneio Internacional, também fez história, visto tratar-se da primeira participação de uma equipa portuguesa num torneio fora de portas.

Na Madeira forma-se o Clube Desportivo “Os Especiais”, mais virado para a Reabilitação do que para a competição.

O Boavista e o Alcoitão, enquanto clubes promotores da modalidade, participam nos XI Jogos Especiais na Ilha da Madeira onde pela primeira vez é integrada a modalidade.

Em 2004 o número de equipas aumenta para 7, às anteriormente existentes juntam-se duas equipas do Minho – AADVDB (Póvoa de Lanhoso) e GoalBraga (Braga). O Campeonato é disputado em 6 fins-de-semana segundo modelo semelhante ao da época anterior.

Mais uma vez o campeonato não muda de mãos, os então denominados Minas Murtalense conquistam o seu 7º Campeonato Nacional.

Apesar dos esforços no sentido de melhorar a modalidade, regista-se pela negativa as desistências das duas equipas do Porto, DRN e Boavista, tendo mesmo a primeira não realizado a jornada da sua responsabilidade.

Na Taça de Portugal participaram 9 equipas, o maior número de sempre. As 5 que terminaram o Campeonato mais uma equipa B do Alcoitão, os habituais açorianos e os recém-chegados, Académico FC (Porto) e os Viriatos de Viseu.

Pela primeira vez é organizado um Campeonato Regional, designado como das Beiras onde participaram, além dos vencedores Viriatos, os reaparecidos Académicos de Coimbra e os Beirões, agora de Castelo Branco.

Aspecto positivo desta época é ter havido, no total das competições, 13 equipas em actividade e a recuperação de algumas formações fora dos grandes Centros Urbanos.

No ano 2005 o número de equipas participantes no Campeonato Nacional volta a aumentar passando a ser 8. O número de deslocações também é recorde, são um total de 7. Participam pela primeira vez as equipas dos Viriatos, Académico FC e Alcoitão B. Murtalense B e DRNorte, estes por motivos de secretaria, são os ausentes.

O campeonato decorre normalmente sem grandes sobressaltos organizativos.

A equipa A do Grupo Desportivo do Alcoitão sagra-se pela primeira vez campeã nacional pondo fim a impressionante sequência de 7 campeonatos conquistados pelos Minas-Murtalense.

A Taça de Portugal também bate recorde de presenças contando com uma dezena de equipas.

Os Viriatos, equipa revelação da época, além do vice-campeonato conquistam a Taça de Portugal.

No final da época é apresentada a nova equipa de seleccionadores nacionais e assim reaberto o projecto Selecção.

Em 2006 é ligeiramente quebrado o ritmo ascendente de crescimento da modalidade. Das 8 equipas inscritas no início do Campeonato, chegam 7 ao seu termo graças a desistência prematura da equipa de Viseu.

O campeonato é vencido mais uma vez de forma categórica pela equipa do Alcoitão A que festeja o seu bicampeonato além de bater inúmeros recordes nacionais da modalidade.

A Taça de Portugal também não prosseguiu o seu ritmo ascendente quanto ao número de equipas, mas mesmo assim conseguiu contar com 9 tendo o título ficado em Viseu pelo segundo ano consecutivo só que desta vez na equipa do F.C. Ranhadas.

O projecto selecção viu-se mais uma vez interrompido não se realizando qualquer iniciativa com vista à sua continuidade.

 

REGRAS OFICIAIS